Eles também têm um clássico #1 – O Toyota Corolla Liftback do André.

Há uns dias lancei o desafio e perguntei-te se tens um clássico diário. O André Gonçalves foi o primeiro a responder com uma história que podia muito bem ser a tua. Portanto o mote está dado: Depois de leres isto agarra-te ao teclado e envia-me a tua história para – joelaraujocom@gmail.com

 

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O meu nome é André Gonçalves e apresento o meu Toyota Corolla Liftback de 1990, que uso actualmente como carro diário.
Antes de mais, usar um carro antigo diariamente é uma experiência fantástica. Nunca tive filhos, mas tenho a certeza que será algo semelhante: podem ser irritantes, deixar-nos ficar mal e até não nos deixar dormir, mas se alguém os insulta ou nos tenta tirá-los das nossas mãos, seríamos capazes de defendê-los com unhas e dentes!

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Desde os 6 anos queria ter um Liftback, porque a minha professora tinha um e eu adorava ver o carro. 10 anos depois, um comerciante local faleceu e deixou este carro a uma das filhas, que o colocou à venda. Quando tirei a carta queria comprá-lo, mas a minha mãe não queria que eu tivesse um carro de 5 lugares (por causa das estatísticas dos acidentes). Dois anos depois consegui dar-lhe a volta e depois de muita negociação, estava nas minhas mãos.

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Vantagens de o conduzir diariamente? É divertido e imprevisível ao mesmo tempo e tudo isso provoca uma combinação de sensações muito interessante. As pessoas fazem perguntas, dão elogios e todos os meus amigos preferem a boleia. A manutenção, seguro e imposto de circulação são ridiculamente baratos!
Desvantagens? Principalmente consumos e baixa disponibilidade de peças de substituição.

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Relativamente a manias: motor de 12 válvulas, significa que quando se acelera, a maior parte das vezes não acontece nada, porque a única válvula de escape não dá vazão às duas de injecção. Por falar em válvulas, estão constantemente a precisar de ser afinadas. O radiador do aquecimento está estragado, por isso tenho de andar sempre agasalhado no Inverno. Isto tudo teve a ver com problemas no sistema de refrigeração que levaram até a queimar a junta da cabeça.

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No que toca à condução, os carros antigos são os melhores. É preciso estar sempre alerta e nunca se sabe o que pode acontecer. Gosto de acreditar que quem escolhe conduzir um clássico ou pré-clássico tem mais cuidado e não se limita a confiar numa inteligência artificial que decide que rodas hão-de travar no momento certo. Quem valoriza a experiência de conduzir acima de tudo, deve optar por um carro antigo!

Conselhos para quem optar por esta experiência: se o carro tiver estado parado por muito tempo, substituam imediatamente todo, e com isto quero mesmo dizer TODO o sistema de refrigeração. Mantenham o aspecto mais original possível, pois vão receber elogios de todos, dos 8 aos 80 anos. Não há problema nenhum com alguma modernização de peças, sistema de travagem, suspensão, etc, desde que mantenham o aspecto exterior. Juntem-se a clubes de carros antigos e a fóruns na internet, pois vão conhecer muitas pessoas que vos vão ajudar.

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Posso ainda referir que sou membro e fundador do Clássicos Clube d’ Avintes: https://www.facebook.com/classicosdavintes/

Também tenho um projecto em inglês de testes a carros de uso diário: https://www.youtube.com/channel/UClos_nCGUH0BiVvX8vSVfTw
Melhores cumprimentos,
André Gonçalves


 

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Queria agradecer ao André por se ter voluntariado como pioneiro nesta nova rúbrica do Tu precisas é de um clássico. O André, pelo que percebo, para além de ser um entusiasta automóvel, é também um empreendedor na área, sendo fundador de um clube de clássicos regional e mantendo um canal dedicado no youtube.

O Liftback é a minha versão favorita do Corolla, e como podem verificar na minha lista de desejos , está lá um Corolla Liftback DX 1.3 e70 (geração da foto).

Um dos motivos que acabou por me afastar do modelo (como primeiro carro), foi a previsão de algumas realidades que o André me acaba de confirmar: Consumos e dificuldade em encontrar peças de substituição. Se para um e90 de 1990 estes problemas já existem, nem quero imaginar para um modelo e70 de 1981. Esta geração é especialmente apetecível por ter sido a última a incluir tracção traseira, numa era anterior à massificação dos citadinos de tracção dianteira. A estética do carro é também desafiante, visto ser um híbrido entre hatchback e sedan. Apesar das proporções bizarras, tal como num utilitário japonês, a forma segue sempre a função.


Se também tens um clássico diário, não te acanhes! Envia-me a tua história para joelaraujocom@gmail.com e quem sabe, ela possa convencer alguém a comprar um automóvel igual ao teu. (Ou na pior das hipóteses, fazer alguém desistir de o fazer.)

 

 

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