Eles também têm um Clássico #2 – O Toyota Starlet ep80 do Cristiano.

“Em Setembro de 2003, com a minha inscrição na faculdade, precisei de adquirir um segundo carro, preferencialmente barato para as minhas deslocações. Por intermédio de um irmão que tinha montado uma pequena oficina reparadora de veículos, achei um Renault Clio 1.2RN de 1991 (a gasolina!) 5 lugares e 5 portas de cor vermelho.

No primeiro e segundo mês de faculdade, as despesas em combustível do carrito reflectiam-se no orçamento familiar. Se por um lado em percursos citadinos o carro era relativamente económico, em percursos tais como vias rápidas ou auto-estradas, consumia mais litros de combustível do que eu em álcool, e o trajecto desde o trabalho para a faculdade era essencialmente auto-estrada.

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Era meados de Novembro de 2013, quando o meu irmão me telefona a dizer que tinha ficado com uma interessante retoma, para quando pudesse passar pela sua oficina. No dia seguinte, entrei na oficina de Renault Clio e saí num belo Toyota Starlet de Outubro 1991, 5 lugares, 3 portas de cor branco.

O motor? Um bloco de 1453 centímetros cúbicos alimentado a gasóleo com 54 cavalos de potência e pouco mais de 220.000 quilómetros percorridos! Com aquela quilometragem (e ao serviço de uma empresa de indústria de madeiras, lá para os lados de Paredes), não era de esperar que o carro estivesse nas suas melhores condições, mas desde que cumprisse a sua função, estava perfeito.

Por norma um veículo com interesse histórico, pré-clássico ou clássico é desvalorizado por ter motorização a gasóleo, mas foi este o principal motivo de adquiri-lo. O carro é económico e, não abusando da velocidade, consigo fazer consumos médios de meter inveja a muitos actuais veículos, ditos ecológicos.

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Não é do tamanho de um smart da primeira geração, mas mesmo assim não deixa de ser um carro de pequenas dimensões e versátil, perfeito para percursos urbanos. De manutenção reduzida: filtro, óleo e pouco mais. Como qualquer outro veículo, não dispensa de uma regular verificação dos níveis.

Preocupa-me o valor “comercial” do carro (nem nas tabelas de cotação on-line aparece!). Em caso de acidente com perda total, as indemnizações que as seguradoras querem pagar neste tipo de veículos pré-clássicos nem sequer dão para comprar outro nas mesmas condições!

Quando chego à garagem, na hora de tomar a decisão em qual dos carros vou sair: v40 ou starlet? A minha escolha recai sobre o pequeno starlet! A electrónica não abunda, não tem fecho centralizado, vidros eléctricos, controlo de estabilidade, sistema de travagem antibloqueio. A direcção assistida é a força dos meus braços, o auto-rádio é de cassetes com sintonização manual. GPS? Apenas no meu telemóvel e na falta deste, o mapa de estradas de portugal no porta luvas. Mas mesmo assim… dá-me prazer conduzi-lo!”

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Quero agradecer ao Cristiano pelo tempo que investiu em escrever-me sobre o seu Toyota Starlet ep80 (um irmão mais novo do meu ep70).

Carros a diesel estão por vezes associados a mulas de trabalho e a donos desleixados, mas não parece de todo o caso aqui. O Starlet está com muito bom ar, limpo e sem sinais evidentes de desgaste. Dado o historial de carro de trabalho, acredito que o Cristiano já tenha feito algum trabalho de restauro no pequeno Toyota.

Quanto á desvalorização comercial de um pré-classico a diesel, o que pude observar da minha experiência de procura de carro foi que, regra geral, os modelos a diesel, independetemente da kilometragem e estado de conservação, são sempre mais caros que os seus equivalentes a gasolina. Sei que é uma tendência generalizada do mercado, mas cheguei ao ponto ridículo de ver anúncios de veículos a diesel com mais de 400.000km a um preço absurdo, com um estado de (des)conservação que nem para abate era digno.

Está na moda procurar carros a diesel, de tal forma que nos dias de hoje comprar um carro a gasolina é visto quase como burrice, ou luxo (dependendo se és rico ou não)Apesar de haver uma vantagem económica evidente, a médio prazo, é preocupante observar como uma simples tendência de mercado leva alguém a ser capaz de comprar um carro às cegas, numa escolha em que o único critério é o consumo, e a única exigência o diesel. Os vendedores aproveitam-se desta tendência, e aprontam-se a vender verdadeiros montes de sucata por valores irreais, com a premissa de que são a diesel, e portanto super “económicos”. 


 

Tens um clássico? Pré-clássico? Histórico? Envia-me a tua história para: joelaraujocom@gmail.com e vê-la partilhada aqui. 

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2 thoughts on “Eles também têm um Clássico #2 – O Toyota Starlet ep80 do Cristiano.”

  1. Na altura em que comprei o meu liftback toda a gente me apontou o dedo por estar a ser maluco por não comprar um Diesel. Não tenho problema nenhum com os diesel em si, mas a mentalidade do “é diesel, logo é económico” é falaciosa. Alguns dos meus carros preferidos são diesel (UMM, Mercedes 240 D), a questão é que seja qual for o carro pode sempre ser económico dependendo do uso que se lhe dá!

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    1. Exactamente. Há quem prefira Diesel pelo tipo de resposta do motor, pelo binário e algures no mundo alguém até irá preferir pelo som. Tudo são escolhas válidas. Há espaço para os Diesel e Gasolina. O problema é quando os compradores olham para o Diesel como a única solução. Quase como te dizerem: “És designer? Tens que ter um Mac. É a única solução.” “Queres ter um carro económico? Tens que ter um Diesel.”

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