Encontros de Clássicos – Starlets em Aveiro

Como prometi há uns posts atrás, recebi em Aveiro, no passado dia 17 de Julho, o encontro de familiares do Starlet. Ele estava radiante de felicidade (a cera ajudou) e eu tinha todos os poucos cabelos que tenho de pé, na espectativa.

O grupo Toyota Starlet PT organizou este ano a 3ª edição do encontro nacional Toyota Starlet, sempre sob a premissa mais que adequada “Fun to Drive” (A diversão de conduzir). As duas edições anteriores realizaram-se em Vila Nova de Gaia, contudo, este ano o grupo quis experimentar novos ares (ou ventos), e então foi sugerido um outro local que fosse acessível para participantes vindos do norte e do sul. (Sim, adivinharam: Aveiro.) Sendo eu de Aveiro, aprontei-me a dar umas dicas sobre locais a visitar, restaurantes para almoçar entre outras sugestões. Voluntariei-me também, como Designer, para desenvolver a imagem do evento, composta por 4 cartazes únicos, representantes das 4 gerações de Toyota Starlet (kp60,ep70,ep80 e ep90).

Cartazes Encontro Starlet-06

Antes de passarmos ao evento em si, quero que percebam o seguinte: Ao invés de fazer o report do encontro de um ponto de vista “jornalístico”, vou descrever todos os acontecimentos de um ponto de vista mais pessoal, de quem esteve por dentro da organização. Atenção: As minhas palavras representam apenas a minha percepção, e não a opinião do grupo Toyota Starlet PT.

Nos meus curtos 8 meses na posse do Starlet já tive oportunidade de participar em alguns encontros automóveis, mas nunca tinha ajudado a organizar nenhum. Confesso ter ficado com um misto de alegria e satisfação por receber na “minha cidade” tantos carros e gente porreira, e ao mesmo tempo decepção e frustração pelas coisas que correram menos bem por simples falta de calo. Passo a explicar:

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1- Concentração + Test Drive na Caetano Auto Aveiro

O dia começou bem cedo, nas imediações da Caetano Auto em Aveiro. Fui o 2º a chegar, e não demorou muito até que, pouco a pouco, o parque de estacionamento se fosse tornando um pouco mais completo e colorido . Com 16 carros no total, o número de inscritos superou as previsões iniciais, contando com Starlets de Aveiro, Vila Nova de Gaia, Porto, Chaves e Leiria. A diversidade de carros estava entre o esperado: Maioritariamente geração ep70 (71) e kp60 (61,22). Houve contudo um problema: Estavamos todos, mas o portão da Caetano Auto permanecia encerrado, e sem ninguém à vista para nos receber. Após algumas tentativas, conseguimos contactar os responsáveis, apenas para estes nos dizerem que não iam conseguir estar presentes. Ninguém! Fossem quais fossem as razões, não é aceitável que uma marca líder do mercado automóvel mundial falhe de uma forma destas a 30 pessoas que fizeram vários quilómetros para ali estar. Um encontro organizado em homenagem à marca, onde ela tem oportunidade de expor modelos mais recentes a um público naturalmente mais receptivo, e nem assim. O que nos safou (a mim e ao Hugo), foi o facto de que nestas alturas basta juntar 2 entusiastas e 1 carro e há conversa para horas. No entanto, para quem está a organizar, este tipo de imprevistos não ajudam à já elevada e natural ansiedade.

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2- Passeio de Moliceiro pela Ria de Aveiro

Sim, é uma “concentração de carros onde se anda de barco”. E porque não? Visto que a maioria dos participantes era de fora de Aveiro, achou-se por bem mostrar um pouco do que a cidade tem para dar e para ver. A viagem correu sem grandes precalços, mesmo sem champanhe ou leitão, porque somos pobres. Fica para a próxima.

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3- Entrega de donativos + Almoço

É aqui que a coisa começa a descambar. Depois da viagem de moliceiro, a entrega dos donativos era para ter sido feita com todo o grupo (com foto bonita incluida). No entanto, porque não houve o previsto Coffee-break na Caetano Auto, a malta já estava toda com fome, e tanto eu como o Hugo (co-organizador) não queriamos  estar a tornar a situação desconfortável para ninguém. Guiámos os participantes até ao restaurante e corremos os dois (como quem diz, fomos de Starlet) até às Florinhas do Vouga para entregar as roupas e alimentos que recebemos como donativos dos participantes (Um obrigado especial mais uma vez!). Deu-me a impressão que as Florinhas ficaram decepcionadas com o facto de só aparecermos dois, ao contrário do combinado, mas “donativos são donativos”, como eles disseram e bem.

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Posto de forma simples e directa: O almoço correu mal muito antes sequer de ter começado. Passo a explicar: O local combinado inicialmente seria na “Fornalha”, na Praça do Peixe, bem no coração da zona histórica de Aveiro. No entanto, a poucos dias do evento, fui contactado por eles com a sugestão de trocarmos para “O Infante” (da mesma gerência), na outra ponta da cidade. O motivo prendia-se com o facto de que “um dos familiares dos donos aqui da “Fornalha” vai cá fazer o aniversário” e então a malta dos Starlets deixou de caber. Como o Infante ia abrir só para nós, e como já não havia grande tempo para ir à procura de outro local, tive que aceitar. Confirmei as 30 pessoas inscritas e não me preocupei mais com o assunto. Não é a primeira vez que organizava um almoço ou jantar, portanto já estava à espera que no dia alguém desistisse ou não pudesse vir, coisa que aconteceu a 5 pessoas. Já no restaurante informamos a gerência que, por motivos que nos ultrapassam, seriamos 25 e não 30. Uma margem perfeitamente aceitável para qualquer restaurante, mas não para este. O tom do discurso do gerente mudou imediatamente para melhor, numa conversa pautada pela humildade, compreensão e humor. Entre outras piadas, gostei especialmente da “Se soubesse que eram só 25, não abria o restaurante”. Para acrescentar ao problema, a comida estava longe de se louvar, e a disposição das mesas estava completamente errada quando chegámos (costas com costas etc.).

Senti uma culpa terrível sobre tudo o que se estava a passar. Não devia ter aceite a troca de restaurante. Não devia ter confiado. Correu mal, muito por minha causa. Perdi a fome mas tentei mostrar boa cara e seguir em frente. Tentei interagir e recolher feedback dos participantes enquando dava umas voltas à mesa, até que paro ao lado do meu amigo Franciso Lemos que me confirma com honestidade o meu receio: “Este restaurante é uma m*”. Não sabe bem fazer um convite especial a um amigo e depois fazer uma recepção medíocre.

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4- Roteiro de estrada por Aveiro

Se o almoço tinha sido menos que ideal, esperei que o roteiro que desenhei pelo distrito de Aveiro fosse ajudar à digestão. *Spoiler* Não ajudou. *Spoiler*

A ideia de fazer um roteiro foi inicialmente incluida no programa em jeito de placeholder, pois a ideia era ter uma pequena prova em circuito fechado para os participantes poderem dar um uso menos delicado ao acelerador. No entanto, com o encerramento do Kartódromo de Oiã, e com apenas 2 pessoas a organizar o evento, não foi fácil encontrar um local para o “picanço” sem envolver uns senhores de botas e camisa azul menos satisfeitos. Decidiu-se abandonar a ideia e substitui-la por algo mais acessível: Um passeio de 40km pelo distrito de Aveiro. Confesso que esta ideia agradou-me imenso desde o primeiro minuto. Nada melhor que um cortejo de Clássicos a cortejar a zona histórica de uma cidade, ou a acelerar pelas estradas nacionais e zonas rurais. Ou então sou só eu que gosto destes desvaneios românticos. 

Para dar vida a este percurso fiz uma lista de marcos importantes e zonas emblemáticas, e de seguida comecei a unir os pontos, na procura do trajecto ideal. O resultado final foi este:

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Fiz este percurso duas vezes antes do evento, com o objectivo de aperfeiçoar o roteiro, e prever possíveis contratempos. A uma média de 50km/h o percurso demoraria 1h, partindo da zona histórica de Aveiro e acabando no Jardim Oudinot. Entre os locais de passagem incluia-se o Campus da Universidade de Aveiro, o Museu Marítimo de Ílhavo, o Jardim Henrquita Maia, a fábrica da Vista Alegre, a zona de turismo rural da Gafanha, a Ria de Aveiro, a Vagueira, Costa Nova e Barra.

Restava saber se tudo correria tão bem com 15 Starlets atrás de mim.

Domingo à tarde não é propriamente a altura mais calma para conduzir no centro de uma capital de distrito, mas Aveiro também não é propriamente Luanda ou o Rio de Janeiro. Partindo deste princípio, achei que um roadbook não seria necessário, até porque fazer um ocuparia tempo que eu não tinha. Se acabou por ser preciso? Sim. Na primeira etapa do roteiro, tivemos literalmente que parar de 200m em 200m, porque havia sempre alguém constantemete a perder-se ou a ficar para trás. Isto quebra o ritmo de qualquer passeio, e eu não podia fazer mais do que pedir aos participantes que mantivessem os carros o mais junto possível durante o caminho. Não aconteceu, e por alguma razão, que não a velocidade, alguém ficava sempre para trás e deixava-se afastar do grupo. Sentia-me impotente e ao mesmo tempo desgastado por toda aquela situação. Como se não bastasse, a meio do roteiro, pouco antes da zona das praias, Aveiro pregou-me outra partida: o tempo. Subitamente e sem aviso, instala-se um nevoeiro do qual não há memória. E de que serve a paisagem se não a conseguimos ver?

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Foto cedidada pelo colega Filipe Soares

Estava programada uma pequena paragem na Vagueira, para recuperar energias, comer um gelado e ver o mar. Não aconteceu, tanto pelas más condições climatéricas, como pelo “circo” que se lembraram de montar na praça onde era suposto estacionar os carros.

A próxima passagem era na Costa Nova, conhecida pelas suas típicas casas às riscas, e uma das maiores referências paisagísticas de Aveiro. Pouco passava das 16h, e a infame hora de ponta da marginal só estava prevista para 1h depois. Isto é, se estivesse bom tempo. Com o nevoeiro ninguém se aguenta na praia, e dessa forma a hora de ponta começou bem antes do suposto. Precisamente há hora em que lá passamos. Foi tão mau que começou a ter piada.

Quando tudo parecia perdido, eis que surge o Francisco com um plano B que nos safou uma boa meia hora de para-arranca, guiando-nos por um atalho igualmente bonito de se ver, bem pelo centro da Costa Nova.

Era suposto ainda passarmos pelo Farol da Barra, mas com tantos imprevistos, e depois de toda aquela situação saturante, decidi guiar os participantes directamente para o Jardim Oudinot.

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Curiosamente, apesar de curto, acabou por ser dos momentos que mais gostei de todo o encontro. Aquela momento final de convívio e conversa, rodeada pelos carros que mais gostamos. A esplanada de Domingo à tarde, e o passeio pelo jardim.

Soube bem e foi um momento de descompressão fulcral, depois de um dia em que tudo correu mal. Tudo, menos os carros, as pessoas e as palavras que trocamos.


Foste um dos participantes neste encontro? Envia-me o teu testemunho e fotos para joelaraujocom@gmail.com

 

 

 

 

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