A Estrada Real EN2 – Dia 7 (Faro)

Dia 7 (50km)
Loulé-Faro-Quarteira-Vilamoura

Não reza a história que ao sétimo dia, o Starlet descansou. Mas é verdade.

Antes de darmos por terminada a viagem no marco final dos 738km EN2, estivemos ainda em Loulé a tomar o pequeno almoço e a visitar a emblemática obra neo-árabe construída no final do sec. XIX, o Mercado Municipal de Loulé. Das várias pastelarias que este alberga, fomos logo parar a um que nos deu o serviço mais antipático do dia, da viagem, e quase de sempre. Será que a senhora descobriu que somos portugueses aka pobretanas? Acho pouco provável, dada a nossa camuflagem: Pela cor de pele, eu e o Sérgio vínhamos directamente da Noruega, e o João do Equador. As nossas roupas gritavam “Estou aqui pela praia” e o nosso dialecto, quando não era a cantar músicas espanholas, era de tal forma nortenho que pior, só mesmo Mirandês.

Seguímos viagem até Faro, onde o autocolante do Starlet se iria finalmente encontrar com o seu primo afastado feito de pedra. Tal como ao km zero em Chaves, não estávamos para cerimónias: Estacionámos o carro mesmo em cima do passeio, deixando de parte qualquer vergonha ou remorso. Sabes que estás no Sul quando fazes isto e és completamente ignorado. Em Chaves bastou meter um pneu por cima da rotunda e toda a cidade veio a correr para assobiar e troçar conosco. Em Faro nem um olhar, nem mesmo dos três carros de patrulha da GNR que passaram enquanto ali estivémos.

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Com um sentimento de missão cumprida, e postos de parte os planos cronometrados de visitas e refeições, entrámos no carro e quebrámos ,pela primeira vez na viagem, todos os limites de velocidade legais em direcção à praia. Chegámos a Quarteira (Nunca digam “na” Quarteira perto de um algarvio) e nem nos dignficámos a almoçar em condições. Competimos a ver quem fazia a digestão mais rápida e mandámo-nos de cabeça para a água.

Éramos com certeza absoluta as pessoas mais pálidas daquela praia. Facto agravado pelo nosso protector solar marca Cimpor. Sou geralmente muito friorento, e o tempo que demoro a mergulhar no mar costuma ser medido com um calendário. E quando toda a gente me dizia que no sul a água é que é boa, sempre achei que isso fosse um exagero.
Não é.

Depois de horas a saltitar na água como 3 crianças felizes, o fim do dia aproximava-se e, pela primeira vez na viagem, não iriamos estar por nossa conta durante a noite.

Apresento o nosso anfitrião: João Artur Silva é um aficionado dos Clássicos e vive em Olhão. Tem uma 4L e um Peugeot 205, e conhecio-o através deste blog e também a partir do Portal dos Clássicos. Ainda estava eu em Chaves a começar a viagem e já tinha recebido mensagem do Artur com o contacto dele, a informar que quando chegássemos a Faro que ele vinha ter conosco. Passado 7 dias estávamos nós em Faro, e como prometido, ele veio ao nosso encontro. Um dia antes, ele anuncia no meu perfil de Facebook que está pronto para nos receber. Até aqui tudo bem, mas o João e o Sérgio notaram algo de incomum na mensagem que ele escreveu. Uma pessoa normal diria: “Já me fui arranjar para vos receber em Faro…” ou “Já preparei um roteiro especial para vos receber em Faro…”, ou até preferencialmente “Já arranjei umas jeitosas para vos receber em Faro…”  Mas não. O Artur escreveu isto:

“Já fui lavar o carro para os receber em Faro…” 

Numa primeira instância não encontrei nada de anormal nesta frase. Como amante de Clássicos, se fosse receber alguém em Aveiro não me sentia bem em aparecer com o Starlet sujo. Já o João e o Sérgio acharam um piadão a estas regras de etiqueta entre fãs de Clássicos. E há que admitir que há uma certa graça nisto.

Como anfitrião, démos liberdade ao Artur para escolher um restaurante para ir jantar. Com prontidão marcou-nos a última mesa da concorrida Tasca da Vila, uma casa de tapas em Vilamoura. Estando mesmo ao lado da marina, fomos lá digerir as conquilhas e dar um hi-five ao Figo, que estava ocupado a tirar finos (desculpem, imperiais) no bar dele. A marina de Vilamoura é um local conhecido de carspotting, mas infelizmente nessa noite não vi nada de particularmente interessante ou de bom gosto. Mercedes, Mercedes, Mercedes, Mercedes e um Hummer com pintura fosca. Desiludidos fomos afogar as mágoas para o melhor sítio de todos para o fazer: Um bar de ingleses com karaoke.

De regresso a Loulé ainda deu tempo para tirar esta foto às máquinas e aos pilotos. Foi muito bom, depois de tantos dias de viagem, ser recebido desta forma. Um obrigado especial ao Artur pela disponibilidade em receber estes 3 estranhos e um Starlet em sua “casa”.

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