A bondade dos estranhos.

The Kindness of Strangers, uma expressão inglesa que aprendi a acarinhar com o álbum da banda Spock’s Beard, uma das lendas mais subestimandas do rock progressivo, e ao mesmo tempo uma das minhas favoritas. É uma expressão que inevitavelmnete me vem à cabeça de cada vez que me encontro entre clássicos ou com pessoas dos clássicos. Mas talvez nunca tanto como no passado sábado, no Braga Racing Weekend.

Para além de todo o plano combinado e ensaiado, existiu um segundo episódio que não conseguiria não contar. Esta é uma história sobre a bondade dos estranhos:

Logo após a chegada ao Vasco Sameiro, eu, o Diogo e Miguel fomos dar uma olhada ao paddock dos Clássicos para preparar a sessão. No entanto, o Mini do José Mota Freitas estaria em pista, pelo que voltámos para o estacionamento para preparar o material fotográfico para o seu regresso. Nisto, fui interceptado quase ao nível físico por um senhor que começou a falar muito rápido. Antes sequer de me aperceber que estava numa conversa, o senhor já haveria acabado de falar. Pelas palavras-chave “blog”, “roupa”, “carro”, “fotografia”, “goodwood” percebi que não era engano, mas sentia-me igualmente confuso. No momento mais socially awkward do dia, a minha reação foi cumprimentar o senhor. A seguir pedi-lhe que explicasse tudo outra vez, pois eu, carente de reflexos de um piloto, não entendi nada. Este senhor não era nada mais nada menos que José Fafiães, piloto do icónico Datsun 1200 vermelho, branco e azul do Campeonato Nacional de Clássicos. Já depois do meu cérebro processar toda a informação, compreendi que o Sr. José estava interessado nas peças da Boys Ran Fast, pois ele também vai a Goodwood. Compreendi também que ele haveria lido o meu apelo no blog , e que estava a disponibilizar para as fotos tanto o seu Lancia Beta como o Austin Sprite Frogeye, ambos estacionados a escassos metros.

“Podes entrar à vontade. Não está trancado, não tem alarme e a direcção não prende. Podem destrava-lo e empurra-lo um bocado se for melhor para as fotos. Eu vou dar uma volta e vocês ficam aí à vontade”. 

Eu não estava a acreditar no que estava a ouvir. Um completo estranho estava a oferecer a outro completo estranho o carro que, de todo o plantel do Racing Weekend, era aquele que provavelmente seria o melhor adereço à indumentária da Boys Ran Fast que trazia vestida: Um Austin Sprite Frogeye, raro, frágil e valiosíssimo, sozinho com um desconhecido. Olhei para os meus amigos, e sem falar, pegámos no material todo e começámos a fotografar. Os resultados são os que se seguem:

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Isto é a bondade dos estranhos, o elemento químico mais abundante no suor dos amantes de clássicos.


Fato de Macaco: Dunlop Racing Suit
Luvas: Daytona Driving Gloves
Boina: Linen flat cap
Relógio: Komono Magnus The One



Agradecimenos (mesmo muito) especiais:

Dresscode – Boys Ran Fast
Carro – José Mota Freitas e José Fafiães
Fotografia – Diogo Louro
Voluntários à força – Miguel Freitas e Cristiano Loureiro

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