Um mês até ao Goodwood Revival

Não há volta a dar. Em Setembro vou ao Goodwood Revival. Até lá, preciso da tua ajuda.

Goodwood-RevivalSe em Janeiro de 2017 me dissessem como seria a minha vida em Setembro do mesmo ano, não acreditaria: Mudei-me para Braga, cidade espetacular, para um emprego não menos incrível na Gen Design Studio, e entrei para a equipa da revista mais fantástica sobre Clássicos de toda a CPLP, a Topos & Clássicos. Como se não bastasse, entre morar a 5min. da Taberna Belga e a 10 do Circuito Vasco Sameiro, em Setembro vou ao Goodwood Revival, o maior festival de veículos clássicos e históricos do mundo.

O ano começou como ninguém gosta de o começar: À procura de emprego. No entanto, paralelamente, delineei o meu Career map para 2017 (algo bem mais divertido de se fazer). Entre vários campos e objectivos anuais que estebeleço para mim mesmo, um deles passa sempre por fazer voluntariado (Curiosamente, “atualizar o blog” é um objetivo que está a vermelho na tabela).

3_litre_f1_goodwood_revival_13092016

Como já é meu hábito, “um dia lembrei-me e decidi” inscrever-me como voluntário em Goodwood. Não no Members Meeting nem no Festival of Speed, mas sim no Revival, por duas razões muito específicas:

A primeira foi o tempo. O Revival é o último evento do calendário Goodwood, em Setembro, o que me daria mais tempo para preparar a viagem. O segundo motivo, que desconhecia inicalmente, era que a TVR (T-re-V-o-R), a construtora pela qual tenho um crush desde os meus tempos do Gran Turismo 1, vai ser relançada no Revival, depois de mais de 10 anos de futuro incerto, coincidindo com os seus 70 anos de fundação.

revival_16_amyshore_021

O processo foi mais simples do que imaginava: Mandei um e-mail para o event staff a candidatar-me como voluntário “só para ver o que acontece”. Com um texto todo bonitinho, inspirador e, acima de tudo, moralmente eficaz, fui aceite.

Desde então, tenho vindo a tratar da “papelada” e a informar-me o mais possível sobre necessidades específicas e vicicitudes do evento. Das primeiras coisas que me pediram, talvez previsivelmente, foi o passaporte, dadas as novas circunstâncias políticas do Reino Unido pós-Brexit. Consegui dar a volta e apenas apresentar o CC Português, o que me fez poupar uns bons € que cobrirão outas necessidades e requisitos da aventura.

revival_16_nigelharniman_0075

O Goodwood Revival acaba por ser um evento muito específico com algumas características peculiares, entre elas e talvez a mais óbvia, a necessidade de estar vestido à época (algures entre anos 20-60).

No handbook de voluntários, podem-se ler com mais detalhe algumas vantagens e “tecnicalidades” de fazer parte do staff do evento, como passarei a descrever. A primeira grande vantagem é o facto de o bilhete ser “gratuito”. Os bilhetes para o Revival custam perto de 200€, e esgotam meses antes do evento. Como voluntário, apenas tenho que garantir que faço todos os meus turnos, e não preciso pagar o bilhete. Ou então ficar a descascar batatas, mas já lá vamos.

revival_16_nigelharniman_0278

Vantagens / Tecnicalidades de ser voluntário:

-Fora dos turnos, os voluntários têm acesso a todo o espaço do evento de forma gratuita, inclusivé áreas off-limits
-Campismo gratutio
-Oferta de comida durante os turnos
-Oportunidade de interagir com automóvels lendários, pilotos, artistas, fotógrafos e outras personalidades marcantes do automobilismo mundial, que de outra forma seriam impossíveis de encontrar em Portugal
-Em contrapartida, se por algum motivo me apetecer um copo de champanhe, ele apenas é vendido à garrafa, por umas meras £100 (Note to self: Não querer beber champanhe durante o evento)

revival_16_nickdungan_7641-1

Alguns excertos peculiares do Volunteer Handbook:

1.
“We employ meticulous attention to detail to create experiences, as they should be, resulting in pure, unspoilt, unadulterated pleasure. We tailor the experience to the customer, altering the way we speak and behave to adapt to them and their needs

Não sei se consigo perder o sotaque Matosinhense até Setembro, desculpem. Não que alguém vá reparar.

2.
“The following rules apply to all events:
– No jeans
– No fancy dress
– No trainers
– No high heels
– No sportswear
No branded baseball caps

Mas eu só uso calças de ganga e sapatilhas. E que mal têm os caps, para além de altamente desadequados à ocasião?

3.
Make-up should be natural and moderate in apperance. Nails should be clean with no nail varnish on.”

Ufa, esta passo.

revival_16_nigelharniman_0126


Concluindo: Faltando apenas um mês para o Revival, resta-me apenas resolver um detalhe importante para estar totalmente preparado: O dresscode. 

O fato de casamento do meu pai não me serve (já experimentei), portanto terei que encontrar outra solução para ir vestido à época. É aqui que preciso da tua ajuda:

Recomendas algum sítio ou loja que venda / alugue roupa e acessórios de épocas passadas, com tema preferencialmente automobilístico? Civíl também dá.

Algo tipo isto:

revival_16_nigelharniman_0056

Ou isto:

mens_vintage_fashion_at_goodwood_revival_201253.jpg

Ou até isto, se tiver mesmo que ser:

revival_15_stephanieocallaghan_-194.jpg


Até à data estou à espera que me atribuam um cargo específico como voluntario, que poderá até ser descascar batatas. Mesmo sendo o caso, como diz o amigo David Silva: “Não é qualquer um que descasca batatas em Goodwood”

revival_16_nigelharniman_0238

O Goodwood Revival realiza-se dos dias 7 a 10 de Setembro, na herdade de Lord March, em Goodwood, “perto” de Chichester. O que significa que no dia 11 de Setembro pelas 9h da manhã vou andar de avião. Que bom.

Para quem ainda se está a questionar: Não, não vou de Starlet.

Também vais ao Revival? Já foste e tens boas dicas para partilhar? Envia-me um mail para falarmos: joelaraujocom@gmail.com

Aventuras num Clássico – Especial de Albergaria

DCIM100GOPROG0081801.

Garanto-vos que quando comprei o Starlet, a última coisa que pensei fazer nele foi, além de comer broa de milho, competir numa prova desportiva.

Sendo simpatizante da “organização marada” Clássicos na Pista (juntem-se a nós no link!), mantenho-me atento aos eventos e provas em que os restantes membros participam (os que têm carros a sério, quero eu dizer). Normalmente tais eventos costumam ser organizados por entidades que não nós. No entanto, em inícios de 2016, começaram a emergir no “grupo” fotos e rumores de uma prova em Albergaria, a ser concebida por um dos bosses e administradores da malta, o Francisco Lemos.

Fiel à doutrina Joelista, ofereci-me para ajudar a organizar o evento (ou tirar umas fotos) mesmo antes sequer de saber ao certo o que se ia passar. O que recebi como contra-proposta do Fransciso foi um simples “Tu vais é participar!”. Pareceu tão simples e imediato que por momentos assumi que fosse algo óbvio. Ri-me, gozei, e passado dois dias inscrevi-me. Tinha acabado de enlistar um Starlet de 50cv, completamente de origem, numa prova. Ganhei especial confiança quando vi a lista dos meus futuros concorrentes: R5 Turbo, Escort RS Turbo, Celica, 205GTI… Nada de preocupante como podem ver:

10523179_1196553783688976_1793949743449134368_n

Organização

Antes de pensar em que buraco me esconder, ainda tinha o cartaz do evento para fazer. À moda do  “bom cliente”, liga-me certo dia o Francisco às 18h da tarde a dizer que me enviou as infos. e material para trabalhar a imagem do evento. Agradeci, e antes que acabasse de planear na minha cabeça um horário para tratar do trabalho, a chamada termina com o típico e assombroso “É para lançar o cartaz hoje”. Para além do cartaz, fiquei também encarregue de tratar da numeração dos participantes (fiquei a saber que o 13 não é usado pelos carros), e os autocolantes do evento que decidi dar como “oferta da casa”.

Preparação

O meu mindset de preparação para a corrida foi este: Se vou ser o mais lento, que seja o mais limpo. Uma tarde de limpeza e uma lata de massa de polir depois, estava quase tudo a postos: Faltavam só os nomes do “piloto” e “navegador” e umas bandeirinhas a condizer (e porque não?). Numa tentativa de esquecer que era totalmente amador, verifiquei a pressão dos pneus, nível do óleo, do anti-congelante, e abasteci de gasolina “apenas o suficiente” para não ficar pelo caminho, mas para também não ter peso a mais na hora da prova. (Para além dos 100kg do Quintino)

IMG_20160423_174605555_HDR

Dia da prova

E eis que chega o grande dia. Eu e o Quintino acordamos cedo e seguimos para Albergaria, (quase) sem nos perdermos pelo caminho. Antes da prova, os participantes tiveram direito a um cortejo pelo centro de Albergaria, onde todos tiveram oportunidade de exibir as suas esculturas de aço (sem ferrugem!), as suas buzinas exóticas, e claro está, não podia faltar aquele característico fumo azul de escape que quase me provocou câncro nos pulmões (cof cof como o do Mini que ia à nossa frente cof cof).

DCIM100GOPROG0011587.
Passeio pelo centro de Albergaria

 A prova

DCIM100GOPROG0071650.
O infame circuito

Já alguma vez estudaram a matéria X para um determinado exame, para segundos antes de o iniciar descobrirem que a matéria que sai é a Y? Foi o que nos aconteceu. Estão a ver (no mapa) aqueles dois círculos com estrelas no meio? É a figura de 8 que deviamos fazer, fazendo as entradas e saídas segundo o sentido das setas. O que acontece é que o desenho do papel não correspondia à disposição dos pneus sinalizantes na pista. (Bem, não estão a imaginar o pânico que se apoderou de nós.) Como não queríamos ser os únicos com dúvidas, expusemos o problema à organização e aos restantes pilotos que aguardavam o início da prova. Resultado: Em segundos toda a gente passou a ter dúvidas sobre o trajecto. O problema é que nós eramos o 1º carro (a concurso) a entrar em pista, e não dava para copiar pelo da frente.

Como na altura não sabia se alguma vez iria repetir esta experiência, o melhor seria gravá-la, como podem ver neste vídeo-que-juro-não-ser-um-sketch!

Rescaldo

Não sei em que posição ficámos, nem quais os nossos tempos. Sei que quem ganhou foi o Fernando Mateus num Starlet igual ao meu, vermelho e tudo! É capaz de ter uma ou outra peça que o faça andar mais rápido, por isso, e só por isso é que ficou à nossa frente! É o meu mecânico, portanto deve ter aprendido a ver o meu. (Brincadeira!)  Não houve taças para nós, mas houve uma lata de 5lt de óleo 20w50 para Clássicos da COMMA, que é ainda melhor.

Então afinal ,o que aprendemos na Especial de Albergaria?

-O meu capacete é maior que o teu.
-Nunca substimes a 2ª velocidade do teu carro.
-Tira-a-mão-do-travão-de-mão.
-Se os pneus não chiam, não estás a ir rápido o suficiente.
“Dá-lhe Joel, dá-lheee”
-Quando é a próxima prova pirata?

DCIM100GOPROG0081803.
Um final feliz.

Eles também têm um Clássico #3 – O Renault 4L da Joana

Photo14_30

“A 4L parou-me nas mãos pelo meu irmão mais velho, que tinha mais coisas para resolver do que eu. Tinha mais pressa que eu, andava mais do que eu. Eu fiquei com o carro, ele com o apelido: Katrell.

Este modelo é amado pela família há vários carros, já. Lá em casa já passou uma bege, uma prateada, pelo menos duas brancas e esta é a que mais temos estimado. Deve ser da idade! E mais: temos uma para peças. É que os meus primos têm duas e às vezes é preciso desenrascar a família.

252263_213163195382219_4610312_n

Este carro ensinou-me a conduzir, levou-me à faculdade, levou amigos e levou o meu irmão ao altar, querem ver?

Ninguém se cansa de um clássico. Aos clássicos perdoa-se tudo. Quando não pega no frio, quando não pega no calor. Quando tem de se estacionar numa descida, o dinheiro que se gasta no mecânico… E isto só percebe quem tem um clássico.


E depois da Renault 4L de 1985, agora uma Piaggio de 1990 em Lisboa.”

Photo02_00A


“Este carro ensinou-me a conduzir, levou-me à faculdade, levou amigos e levou o meu irmão ao altar, querem ver?”
E um dos amigos fui eu.

Obrigado Joana, o texto está incrível.

Eu e a Joana somos do mesmo ano do curso de Design na Universidade de Aveiro, e amigos desde então. Quando tive a ideia de criar este blog, lembrei-me de todos os meus colegas que conduziam clássicos, e apresentei-lhes o convite para me escreverem um texto: Entre eles, curiosamente, estão três Joanas que conduzem três Renault 4L (Uma delas, esta Joana).

O Renault 4L é provavelmente o clássico mais popular dos clássicos populares. Ainda existem imensos em circulação, conduzidos com a mesma determinação prática de quando eram novos. E lembrem-se que quando falamos numa 4L nova, podemos estar a falar de um carro com 24, ou 55 anos. Para terem uma noção, as primeiras 4L rolaram da linha de produção em 1961, 8 anos antes da estreia do Mini (E tu que pensavas que o Mini era antigo!). Passado cerca de meio século, as últimas 4L saíram da fábrica em 1992, ao mesmo tempo que o Renault 5 e o Renault Clio. Imaginem-se em 1992 a entrar num stand da Renault, e serem-vos oferecidos a comprar um Clio moderníssimo, um R5 em fim de vida, ou uma 4L! É surreal. 

Durante a história do automóvel, só certos veículos conseguiram ganhar este estatuto de intemporalidade. Tanto, que torna-se cada vez mais difícil associá-los a uma era específica.

Manter um Clássico – “Já não há peças”

DSC01699.jpg

Toda a gente já teve oportunidade de proferir/ouvir pelo menos dois ou três dos inúmeros mítos e piadas que rodeam o universo do automóvel clássico. Como já devem ter percebido pelo mote deste blog, o meu objectivo é desmistificar, um a um, todos esses mitos sobre o dia-a-dia com um clássico. Hoje vou falar sobre um deles: A suposta inexistência de peças de substituição para carros antigos. Dita a giria popular o seguinte: “Não interessa se o teu carro faz parte de uma série de produção de 5 ou 10 milhões de unidades. Se é antigo, todas as peças ter-se-ão miraculosamente escapulido da face da terra, e nunca mais serão acessíveis ao comum dos mortais.

Este é um dos mitos que afastam o cidadão comum dos clássicos: Aquela malvada piada: “Já não encontras peças para isso pá!”. Esta expressão é tão popularmente generalizada que já pensei aproveitar o meu lanço de pseudo-escritor e lançar a minha própria colecção de livros de aventura. Já estou a imaginar algo do género “A saga do último Farolim”, “Em busca da grelha perdida”. “A fuga da junta da colaça”, “Um quadrante chamado D. Sebastião” entre outros… (Se pertences a uma editora de livros, estou aberto a propostas!)

99% das vezes existe uma solução para o teu problema. No entanto, essa percentagem é proporcional à tua vontade, tempo e dinheiro para encontrar a solução.

IMG_20160205_133717
Fotos do material, antes de ser limpo.

Recentemente o meu Starlet teve que ir à inspecção. Antes disso, deixei-o na oficina para fazer um check-up geral ao carro. Assegurado de que o Starlet estava em muito boas mãos, aproveitei o “tempo livre” para procurar algumas peças que me faltavam para restaurar o carro à sua condição original. Nomeadamente: Centros das jantes, palas dos guarda-lamas, calhas do tejadilho (mal geral dos ep70) e ainda um farolim traseiro para substituir.

Tudo o que me separou das peças foi um computador com acesso à Internet e um telemóvel.

DSC01691.jpg
Fernando Cardoso, amigo e aficionado por carros italianos que conheci no Caramulo Motorfestival.

Não existe uma fórmula única para procurar peças. Cada caso é um caso, e às vezes tens que ser um pouco criativo para encontrares o que precisas. No entanto, deves-te lembrar que qualquer pesquisa é sempre feita em dois vectores: Procura (expores as tuas necessidades a potenciais vendedores) e oferta (procurar o que já existe à venda). No meu caso, comecei a minha procura em duas frentes: Sites de vendas/leilões (Olx, Custo Justo, eBay) e grupos de Facebook (Toyota Starlet PT; Grupo oficial Toyotistas.com; Toyotistas OldSchool; Toyotistas; Team Toyota Portugal; Compra e venda de peças de automóveis antigos). O primeiro ataque foi feito no Facebook, visto que as respostas ao meu post iriam sempre demorar a surgir. Enquanto isso, fui pesquisando paralelamente no OLX, CustoJusto e eBay. Se és membro activo nos grupos de facebook que indiquei, dever-te-ás lembrar disto:

Post Starlet
Spamei este post sem dó nem piedade em todos os grupos que achei pertinente, e os resultados foram incríveis. Quero dar um agradecimento especial a todos os que me contactaram com ofertas ou sugestões de como encontrar as peças. Consegui! Foi também durante estes contactos que me pude aperceber que, como em tudo na vida, existem diferentes tipos de vendedores:

  • Os ideais (Um contacto simples e a venda efectua-se)
  • Os políticos (Convencem-te que têm todas as preças que precisas, mas não têm nem uma)
  • As divas (“Não respondo a mails, nem a mensagens, nem a números desconhecidos”) Contacto por telepatia, aceita?
  • Os tímidos (Colocam informações, mas sem fotografias)
  • Os fotógrafos de moda (As fotografias só mostram as partes boas)
  • Os que vão de férias (Publicam o anúncio e nunca chegam a responder a propostas)
  • O neto de 4 anos do vendedor (Pior que o nível gramatical e erros ortográficos do anúncio, só as peças que está a vender)

Feitos todos estes contactos, e com alguma paciência, chegou-me tudo a casa via entrega à cobrança via correios, por um preço bem mais baixo do que pagaria por peças de um carro moderno. Um final feliz.

SONY DSC


Para terminar este post, e em jeito de glossário, deixo aqui todas as categorias e entidades que contactei na minha procura. Algumas delas aplicam-se apenas ao universo Toyota, mas outras são aplicáveis a qualquer veículo de qualquer marca. Devo avisar também que fiz a minha pesquisa a partir de Aveiro. Espero que isto possa ser útil a alguém que também ande à procura de peças para o seu clássico:

 

  • Sucatas e centros de abate
    • Impor2000 (Cacia)
    • Brás e Azevedo (Braga)
    • Rocha, Mota e Soares (Canelas)
  • Lojas e vendedores de peças
    • Arviauto (Vila Real)
    • Toniauto (Sever do Vouga)
    • Chapicar (Águeda)
    • SSGarage (Porto)
  • Online
    • Grupos Facebook (Toyotistas, Toyota Starlet PT, Peças carros antigos…)
    • OLX (Peças e carros para peças)
    • Custo Justo (Peças e carros para peças)
    • eBay (Peças novas e usadas)
    • Fóruns (Não cheguei a usar)
  • Feiras e exposições
    • Salão Automóvel Clássico Aveiro
SONY DSC
Francisco, mais um bom amigo que fiz no Caramulo Motorfestival.

 

Eles também têm um Clássico #2 – O Toyota Starlet ep80 do Cristiano.

“Em Setembro de 2003, com a minha inscrição na faculdade, precisei de adquirir um segundo carro, preferencialmente barato para as minhas deslocações. Por intermédio de um irmão que tinha montado uma pequena oficina reparadora de veículos, achei um Renault Clio 1.2RN de 1991 (a gasolina!) 5 lugares e 5 portas de cor vermelho.

No primeiro e segundo mês de faculdade, as despesas em combustível do carrito reflectiam-se no orçamento familiar. Se por um lado em percursos citadinos o carro era relativamente económico, em percursos tais como vias rápidas ou auto-estradas, consumia mais litros de combustível do que eu em álcool, e o trajecto desde o trabalho para a faculdade era essencialmente auto-estrada.

renault-clio-1.9-d-rl-05

Era meados de Novembro de 2013, quando o meu irmão me telefona a dizer que tinha ficado com uma interessante retoma, para quando pudesse passar pela sua oficina. No dia seguinte, entrei na oficina de Renault Clio e saí num belo Toyota Starlet de Outubro 1991, 5 lugares, 3 portas de cor branco.

O motor? Um bloco de 1453 centímetros cúbicos alimentado a gasóleo com 54 cavalos de potência e pouco mais de 220.000 quilómetros percorridos! Com aquela quilometragem (e ao serviço de uma empresa de indústria de madeiras, lá para os lados de Paredes), não era de esperar que o carro estivesse nas suas melhores condições, mas desde que cumprisse a sua função, estava perfeito.

Por norma um veículo com interesse histórico, pré-clássico ou clássico é desvalorizado por ter motorização a gasóleo, mas foi este o principal motivo de adquiri-lo. O carro é económico e, não abusando da velocidade, consigo fazer consumos médios de meter inveja a muitos actuais veículos, ditos ecológicos.

IMG_4718.JPG

Não é do tamanho de um smart da primeira geração, mas mesmo assim não deixa de ser um carro de pequenas dimensões e versátil, perfeito para percursos urbanos. De manutenção reduzida: filtro, óleo e pouco mais. Como qualquer outro veículo, não dispensa de uma regular verificação dos níveis.

Preocupa-me o valor “comercial” do carro (nem nas tabelas de cotação on-line aparece!). Em caso de acidente com perda total, as indemnizações que as seguradoras querem pagar neste tipo de veículos pré-clássicos nem sequer dão para comprar outro nas mesmas condições!

Quando chego à garagem, na hora de tomar a decisão em qual dos carros vou sair: v40 ou starlet? A minha escolha recai sobre o pequeno starlet! A electrónica não abunda, não tem fecho centralizado, vidros eléctricos, controlo de estabilidade, sistema de travagem antibloqueio. A direcção assistida é a força dos meus braços, o auto-rádio é de cassetes com sintonização manual. GPS? Apenas no meu telemóvel e na falta deste, o mapa de estradas de portugal no porta luvas. Mas mesmo assim… dá-me prazer conduzi-lo!”

IMG_4717.JPG

Quero agradecer ao Cristiano pelo tempo que investiu em escrever-me sobre o seu Toyota Starlet ep80 (um irmão mais novo do meu ep70).

Carros a diesel estão por vezes associados a mulas de trabalho e a donos desleixados, mas não parece de todo o caso aqui. O Starlet está com muito bom ar, limpo e sem sinais evidentes de desgaste. Dado o historial de carro de trabalho, acredito que o Cristiano já tenha feito algum trabalho de restauro no pequeno Toyota.

Quanto á desvalorização comercial de um pré-classico a diesel, o que pude observar da minha experiência de procura de carro foi que, regra geral, os modelos a diesel, independetemente da kilometragem e estado de conservação, são sempre mais caros que os seus equivalentes a gasolina. Sei que é uma tendência generalizada do mercado, mas cheguei ao ponto ridículo de ver anúncios de veículos a diesel com mais de 400.000km a um preço absurdo, com um estado de (des)conservação que nem para abate era digno.

Está na moda procurar carros a diesel, de tal forma que nos dias de hoje comprar um carro a gasolina é visto quase como burrice, ou luxo (dependendo se és rico ou não)Apesar de haver uma vantagem económica evidente, a médio prazo, é preocupante observar como uma simples tendência de mercado leva alguém a ser capaz de comprar um carro às cegas, numa escolha em que o único critério é o consumo, e a única exigência o diesel. Os vendedores aproveitam-se desta tendência, e aprontam-se a vender verdadeiros montes de sucata por valores irreais, com a premissa de que são a diesel, e portanto super “económicos”. 


 

Tens um clássico? Pré-clássico? Histórico? Envia-me a tua história para: joelaraujocom@gmail.com e vê-la partilhada aqui. 

Viver com um Clássico – Abrir o porta-luvas pela primeira vez.

Documentos Carro.png

Sei que infelizmente, ao comprar um carro usado, nem todos têm a sorte de e ele ainda incluír alguns dos documentos originais de compra. No meu caso,  para alem da mala original do importador/concecionário (?) TOYOTA Transmotor S.A.R.L., inclui ainda o livro de instrucções redigido na língua de nuestros hermanos (mas impresso no Japão!); Um manual do rádio; E nada mais nada menos que o Nicolau Breyner e o ainda vivo Raúl Solnado*, felizes e sorridentes depois de terem espatifado os seus carros um contra o outro. Nada que uma declaração amigável não resolva claro. 

*Com menos 30 anos em cima. 


 

Depois de ter umas aulas de castelhano, partilharei aqui toda a beleza de um manual de instrucções automóvel da década de 80. É de facto um artefacto belíssimo, por isso não admira que um original à venda possa valer uns consideráveis €€€.

Viver com um Clássico – …e não ter uma garagem.

Sempre senti um certo estigma da comunidade automobilista perante quem deixa o carro estacionado ao relento. Quem não guarda o carro na garagem pode ser visto como alguém desleixado e nigligente, ou que simplesmente não dá valor ao carro que tem. Então quando nos referimos a extremos (carros novos em folha/carros antigos) o cenário ganha toda uma outra dimensão, e nesses cassos, a nossa válvula de juízes supremos da vida alheia tende em disparar.

Para quem não tem hipótese de ter o carro guardado na garagem, seja por que motivo for, e ao mesmo tempo não queira ficar a ver a mãe natureza mastigar lentamente o nosso meio de transporte, decidi pedir ajuda.

Então enviei um mail ao Larry Kosilla (imagem em baixo), só para ver no que dava:

IMG_5073

“Hello Larry,

My name is Joel and i’m writing you over from Portugal. 

I’m 25 years old and it was only recently i could fulfill my dream of owning a (pre)classic car. An used 1988 Toyota Starlet ep70 that i’ve fell in love with.

After discovering the overwhelming world of car detail, i’ve stumbled upon Ammo Nyc youtube channel and site, which i’ve used to start my learning process about keeping my car looking as mint as possible. 

Unfortunately it’s impossible for me to rent a garage, so i’m forced to keep the car outside everyday. The body and wheels have been repainted 2 months ago, just after i bought it. 

After searching Ammo Nyc channel, i couldn’t find any tips on maintaing a car when one doesn’t have a garage. 

What are the main tips and advice you can give me to keep my car outside with minimum worries? 

Thank you very much for your time, 
Cheers from Portugal.”


 

photo

Para quem desconhece, Larry Kosilla (à esquerda) é um dos co-fundadores do New York Motor Club, junto com Matt Farah (À direita, apresentador do programa The Smoking Tire). Para além disto, criou a AMMO NYC, actualmente a mais conceituada empresa de Detalhe Automóvel dos EUA. Perante este background, pensei eu: Bem, se o meu emprego diário fosse restaurar e detalhar Singer Porsches, Ferraris F40, Fords GT, LEXUS LFAs entre outros, acho que me sentiria minimamente qualificado a dar uns palpites sobre como proteger um Toyota Starlet da chuva e do frio. E foi isso que recebi no mail de resposta:


 

“Hey bud,

The best way to maintain a car that stays outside is to protect the paint more often than an indoor car. I would suggest adding AMMO reflex at least 2x a year and SKIN every few months. This is the best you can do under the circumstances. http://www.ammonyc.com/shop/ammo-reflex-foundation-coat/
Hope that helps,
-L” 
hqdefault

A resposta não está muito longe do que esperava. Básicamente tenho que ter o dobro do cuidado com a pintura do que teria se tivesse uma garagem. Para além disso, fruto de outras pesquisas, é também aconselhado bloquear o máximo possível de luz solar externa, visto que os raios ultra violeta podem danificar plásticos e borrachas no interior.


 

Se também são forçados a deixar o carro fora da garagem, ou se tiverem conselhos de conservação para me dar, partilhem comigo para joelaraujocom@gmail.com

Para quem não conhecia e também tem dúvidas a tirar sobre detalhe automóvel, deixo aqui os links e contactos da AMMO NYC, assim como uma biografia do Larry Kosilla e uma série de vídeos práticos. No futuro pretendo fazer um texto só dedicado ao Detalhe, mas para já ficam com um avanço:

Biografia
AMMO NYC
AMMO NYC on youtube