Um mês até ao Goodwood Revival

Não há volta a dar. Em Setembro vou ao Goodwood Revival. Até lá, preciso da tua ajuda.

Goodwood-RevivalSe em Janeiro de 2017 me dissessem como seria a minha vida em Setembro do mesmo ano, não acreditaria: Mudei-me para Braga, cidade espetacular, para um emprego não menos incrível na Gen Design Studio, e entrei para a equipa da revista mais fantástica sobre Clássicos de toda a CPLP, a Topos & Clássicos. Como se não bastasse, entre morar a 5min. da Taberna Belga e a 10 do Circuito Vasco Sameiro, em Setembro vou ao Goodwood Revival, o maior festival de veículos clássicos e históricos do mundo.

O ano começou como ninguém gosta de o começar: À procura de emprego. No entanto, paralelamente, delineei o meu Career map para 2017 (algo bem mais divertido de se fazer). Entre vários campos e objectivos anuais que estebeleço para mim mesmo, um deles passa sempre por fazer voluntariado (Curiosamente, “atualizar o blog” é um objetivo que está a vermelho na tabela).

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Como já é meu hábito, “um dia lembrei-me e decidi” inscrever-me como voluntário em Goodwood. Não no Members Meeting nem no Festival of Speed, mas sim no Revival, por duas razões muito específicas:

A primeira foi o tempo. O Revival é o último evento do calendário Goodwood, em Setembro, o que me daria mais tempo para preparar a viagem. O segundo motivo, que desconhecia inicalmente, era que a TVR (T-re-V-o-R), a construtora pela qual tenho um crush desde os meus tempos do Gran Turismo 1, vai ser relançada no Revival, depois de mais de 10 anos de futuro incerto, coincidindo com os seus 70 anos de fundação.

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O processo foi mais simples do que imaginava: Mandei um e-mail para o event staff a candidatar-me como voluntário “só para ver o que acontece”. Com um texto todo bonitinho, inspirador e, acima de tudo, moralmente eficaz, fui aceite.

Desde então, tenho vindo a tratar da “papelada” e a informar-me o mais possível sobre necessidades específicas e vicicitudes do evento. Das primeiras coisas que me pediram, talvez previsivelmente, foi o passaporte, dadas as novas circunstâncias políticas do Reino Unido pós-Brexit. Consegui dar a volta e apenas apresentar o CC Português, o que me fez poupar uns bons € que cobrirão outas necessidades e requisitos da aventura.

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O Goodwood Revival acaba por ser um evento muito específico com algumas características peculiares, entre elas e talvez a mais óbvia, a necessidade de estar vestido à época (algures entre anos 20-60).

No handbook de voluntários, podem-se ler com mais detalhe algumas vantagens e “tecnicalidades” de fazer parte do staff do evento, como passarei a descrever. A primeira grande vantagem é o facto de o bilhete ser “gratuito”. Os bilhetes para o Revival custam perto de 200€, e esgotam meses antes do evento. Como voluntário, apenas tenho que garantir que faço todos os meus turnos, e não preciso pagar o bilhete. Ou então ficar a descascar batatas, mas já lá vamos.

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Vantagens / Tecnicalidades de ser voluntário:

-Fora dos turnos, os voluntários têm acesso a todo o espaço do evento de forma gratuita, inclusivé áreas off-limits
-Campismo gratutio
-Oferta de comida durante os turnos
-Oportunidade de interagir com automóvels lendários, pilotos, artistas, fotógrafos e outras personalidades marcantes do automobilismo mundial, que de outra forma seriam impossíveis de encontrar em Portugal
-Em contrapartida, se por algum motivo me apetecer um copo de champanhe, ele apenas é vendido à garrafa, por umas meras £100 (Note to self: Não querer beber champanhe durante o evento)

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Alguns excertos peculiares do Volunteer Handbook:

1.
“We employ meticulous attention to detail to create experiences, as they should be, resulting in pure, unspoilt, unadulterated pleasure. We tailor the experience to the customer, altering the way we speak and behave to adapt to them and their needs

Não sei se consigo perder o sotaque Matosinhense até Setembro, desculpem. Não que alguém vá reparar.

2.
“The following rules apply to all events:
– No jeans
– No fancy dress
– No trainers
– No high heels
– No sportswear
No branded baseball caps

Mas eu só uso calças de ganga e sapatilhas. E que mal têm os caps, para além de altamente desadequados à ocasião?

3.
Make-up should be natural and moderate in apperance. Nails should be clean with no nail varnish on.”

Ufa, esta passo.

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Concluindo: Faltando apenas um mês para o Revival, resta-me apenas resolver um detalhe importante para estar totalmente preparado: O dresscode. 

O fato de casamento do meu pai não me serve (já experimentei), portanto terei que encontrar outra solução para ir vestido à época. É aqui que preciso da tua ajuda:

Recomendas algum sítio ou loja que venda / alugue roupa e acessórios de épocas passadas, com tema preferencialmente automobilístico? Civíl também dá.

Algo tipo isto:

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Ou isto:

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Ou até isto, se tiver mesmo que ser:

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Até à data estou à espera que me atribuam um cargo específico como voluntario, que poderá até ser descascar batatas. Mesmo sendo o caso, como diz o amigo David Silva: “Não é qualquer um que descasca batatas em Goodwood”

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O Goodwood Revival realiza-se dos dias 7 a 10 de Setembro, na herdade de Lord March, em Goodwood, “perto” de Chichester. O que significa que no dia 11 de Setembro pelas 9h da manhã vou andar de avião. Que bom.

Para quem ainda se está a questionar: Não, não vou de Starlet.

Também vais ao Revival? Já foste e tens boas dicas para partilhar? Envia-me um mail para falarmos: joelaraujocom@gmail.com

Aventuras num Clássico – Especial de Albergaria

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Garanto-vos que quando comprei o Starlet, a última coisa que pensei fazer nele foi, além de comer broa de milho, competir numa prova desportiva.

Sendo simpatizante da “organização marada” Clássicos na Pista (juntem-se a nós no link!), mantenho-me atento aos eventos e provas em que os restantes membros participam (os que têm carros a sério, quero eu dizer). Normalmente tais eventos costumam ser organizados por entidades que não nós. No entanto, em inícios de 2016, começaram a emergir no “grupo” fotos e rumores de uma prova em Albergaria, a ser concebida por um dos bosses e administradores da malta, o Francisco Lemos.

Fiel à doutrina Joelista, ofereci-me para ajudar a organizar o evento (ou tirar umas fotos) mesmo antes sequer de saber ao certo o que se ia passar. O que recebi como contra-proposta do Fransciso foi um simples “Tu vais é participar!”. Pareceu tão simples e imediato que por momentos assumi que fosse algo óbvio. Ri-me, gozei, e passado dois dias inscrevi-me. Tinha acabado de enlistar um Starlet de 50cv, completamente de origem, numa prova. Ganhei especial confiança quando vi a lista dos meus futuros concorrentes: R5 Turbo, Escort RS Turbo, Celica, 205GTI… Nada de preocupante como podem ver:

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Organização

Antes de pensar em que buraco me esconder, ainda tinha o cartaz do evento para fazer. À moda do  “bom cliente”, liga-me certo dia o Francisco às 18h da tarde a dizer que me enviou as infos. e material para trabalhar a imagem do evento. Agradeci, e antes que acabasse de planear na minha cabeça um horário para tratar do trabalho, a chamada termina com o típico e assombroso “É para lançar o cartaz hoje”. Para além do cartaz, fiquei também encarregue de tratar da numeração dos participantes (fiquei a saber que o 13 não é usado pelos carros), e os autocolantes do evento que decidi dar como “oferta da casa”.

Preparação

O meu mindset de preparação para a corrida foi este: Se vou ser o mais lento, que seja o mais limpo. Uma tarde de limpeza e uma lata de massa de polir depois, estava quase tudo a postos: Faltavam só os nomes do “piloto” e “navegador” e umas bandeirinhas a condizer (e porque não?). Numa tentativa de esquecer que era totalmente amador, verifiquei a pressão dos pneus, nível do óleo, do anti-congelante, e abasteci de gasolina “apenas o suficiente” para não ficar pelo caminho, mas para também não ter peso a mais na hora da prova. (Para além dos 100kg do Quintino)

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Dia da prova

E eis que chega o grande dia. Eu e o Quintino acordamos cedo e seguimos para Albergaria, (quase) sem nos perdermos pelo caminho. Antes da prova, os participantes tiveram direito a um cortejo pelo centro de Albergaria, onde todos tiveram oportunidade de exibir as suas esculturas de aço (sem ferrugem!), as suas buzinas exóticas, e claro está, não podia faltar aquele característico fumo azul de escape que quase me provocou câncro nos pulmões (cof cof como o do Mini que ia à nossa frente cof cof).

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Passeio pelo centro de Albergaria

 A prova

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O infame circuito

Já alguma vez estudaram a matéria X para um determinado exame, para segundos antes de o iniciar descobrirem que a matéria que sai é a Y? Foi o que nos aconteceu. Estão a ver (no mapa) aqueles dois círculos com estrelas no meio? É a figura de 8 que deviamos fazer, fazendo as entradas e saídas segundo o sentido das setas. O que acontece é que o desenho do papel não correspondia à disposição dos pneus sinalizantes na pista. (Bem, não estão a imaginar o pânico que se apoderou de nós.) Como não queríamos ser os únicos com dúvidas, expusemos o problema à organização e aos restantes pilotos que aguardavam o início da prova. Resultado: Em segundos toda a gente passou a ter dúvidas sobre o trajecto. O problema é que nós eramos o 1º carro (a concurso) a entrar em pista, e não dava para copiar pelo da frente.

Como na altura não sabia se alguma vez iria repetir esta experiência, o melhor seria gravá-la, como podem ver neste vídeo-que-juro-não-ser-um-sketch!

Rescaldo

Não sei em que posição ficámos, nem quais os nossos tempos. Sei que quem ganhou foi o Fernando Mateus num Starlet igual ao meu, vermelho e tudo! É capaz de ter uma ou outra peça que o faça andar mais rápido, por isso, e só por isso é que ficou à nossa frente! É o meu mecânico, portanto deve ter aprendido a ver o meu. (Brincadeira!)  Não houve taças para nós, mas houve uma lata de 5lt de óleo 20w50 para Clássicos da COMMA, que é ainda melhor.

Então afinal ,o que aprendemos na Especial de Albergaria?

-O meu capacete é maior que o teu.
-Nunca substimes a 2ª velocidade do teu carro.
-Tira-a-mão-do-travão-de-mão.
-Se os pneus não chiam, não estás a ir rápido o suficiente.
“Dá-lhe Joel, dá-lheee”
-Quando é a próxima prova pirata?

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Um final feliz.

Eles também têm um clássico #1 – O Toyota Corolla Liftback do André.

Há uns dias lancei o desafio e perguntei-te se tens um clássico diário. O André Gonçalves foi o primeiro a responder com uma história que podia muito bem ser a tua. Portanto o mote está dado: Depois de leres isto agarra-te ao teclado e envia-me a tua história para – joelaraujocom@gmail.com

 

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O meu nome é André Gonçalves e apresento o meu Toyota Corolla Liftback de 1990, que uso actualmente como carro diário.
Antes de mais, usar um carro antigo diariamente é uma experiência fantástica. Nunca tive filhos, mas tenho a certeza que será algo semelhante: podem ser irritantes, deixar-nos ficar mal e até não nos deixar dormir, mas se alguém os insulta ou nos tenta tirá-los das nossas mãos, seríamos capazes de defendê-los com unhas e dentes!

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Desde os 6 anos queria ter um Liftback, porque a minha professora tinha um e eu adorava ver o carro. 10 anos depois, um comerciante local faleceu e deixou este carro a uma das filhas, que o colocou à venda. Quando tirei a carta queria comprá-lo, mas a minha mãe não queria que eu tivesse um carro de 5 lugares (por causa das estatísticas dos acidentes). Dois anos depois consegui dar-lhe a volta e depois de muita negociação, estava nas minhas mãos.

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Vantagens de o conduzir diariamente? É divertido e imprevisível ao mesmo tempo e tudo isso provoca uma combinação de sensações muito interessante. As pessoas fazem perguntas, dão elogios e todos os meus amigos preferem a boleia. A manutenção, seguro e imposto de circulação são ridiculamente baratos!
Desvantagens? Principalmente consumos e baixa disponibilidade de peças de substituição.

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Relativamente a manias: motor de 12 válvulas, significa que quando se acelera, a maior parte das vezes não acontece nada, porque a única válvula de escape não dá vazão às duas de injecção. Por falar em válvulas, estão constantemente a precisar de ser afinadas. O radiador do aquecimento está estragado, por isso tenho de andar sempre agasalhado no Inverno. Isto tudo teve a ver com problemas no sistema de refrigeração que levaram até a queimar a junta da cabeça.

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No que toca à condução, os carros antigos são os melhores. É preciso estar sempre alerta e nunca se sabe o que pode acontecer. Gosto de acreditar que quem escolhe conduzir um clássico ou pré-clássico tem mais cuidado e não se limita a confiar numa inteligência artificial que decide que rodas hão-de travar no momento certo. Quem valoriza a experiência de conduzir acima de tudo, deve optar por um carro antigo!

Conselhos para quem optar por esta experiência: se o carro tiver estado parado por muito tempo, substituam imediatamente todo, e com isto quero mesmo dizer TODO o sistema de refrigeração. Mantenham o aspecto mais original possível, pois vão receber elogios de todos, dos 8 aos 80 anos. Não há problema nenhum com alguma modernização de peças, sistema de travagem, suspensão, etc, desde que mantenham o aspecto exterior. Juntem-se a clubes de carros antigos e a fóruns na internet, pois vão conhecer muitas pessoas que vos vão ajudar.

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Posso ainda referir que sou membro e fundador do Clássicos Clube d’ Avintes: https://www.facebook.com/classicosdavintes/

Também tenho um projecto em inglês de testes a carros de uso diário: https://www.youtube.com/channel/UClos_nCGUH0BiVvX8vSVfTw
Melhores cumprimentos,
André Gonçalves


 

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Queria agradecer ao André por se ter voluntariado como pioneiro nesta nova rúbrica do Tu precisas é de um clássico. O André, pelo que percebo, para além de ser um entusiasta automóvel, é também um empreendedor na área, sendo fundador de um clube de clássicos regional e mantendo um canal dedicado no youtube.

O Liftback é a minha versão favorita do Corolla, e como podem verificar na minha lista de desejos , está lá um Corolla Liftback DX 1.3 e70 (geração da foto).

Um dos motivos que acabou por me afastar do modelo (como primeiro carro), foi a previsão de algumas realidades que o André me acaba de confirmar: Consumos e dificuldade em encontrar peças de substituição. Se para um e90 de 1990 estes problemas já existem, nem quero imaginar para um modelo e70 de 1981. Esta geração é especialmente apetecível por ter sido a última a incluir tracção traseira, numa era anterior à massificação dos citadinos de tracção dianteira. A estética do carro é também desafiante, visto ser um híbrido entre hatchback e sedan. Apesar das proporções bizarras, tal como num utilitário japonês, a forma segue sempre a função.


Se também tens um clássico diário, não te acanhes! Envia-me a tua história para joelaraujocom@gmail.com e quem sabe, ela possa convencer alguém a comprar um automóvel igual ao teu. (Ou na pior das hipóteses, fazer alguém desistir de o fazer.)